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quinta-feira, 2 de junho de 2022

"Na quimioterapia só 5% a 10% do fármaco chega ao local. Na nanotecnologia não há dispersão, é mais eficaz e menos tóxico"

João Conde, professor de Genética, investigador do Centro de Estudos de Ciências Médicas (ToxOmics), da Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa, defende que as farmacêuticas devem apoiar a investigação e que a nanomedicina é uma aposta de futuro.

Éum dos autores do estudo "Facts and Figures on Materials Science and Nanotechnology Progress and Investment", sobre a eficácia dos nanoprodutos. Como funcionam?
No caso dos tumores, conseguimos colocar nas células cancerígenas uma série de nanomateriais que nos ajudam a que os fármacos sejam mais eficazes, ao mesmo tempo que se poupa as células normais, o que não acontece na quimioterapia. Através da nanotecnologia, podemos colocar todo o tipo de biomoléculas para que os fármacos não sejam descartados tão facilmente pelo nosso organismo ou transportados para outras células que não estejam doentes.
Significa que essas terapias são mais eficazes para as células cancerígenas sendo menos agressivas para as células normais?
É uma das grandes vantagens. Nos tumores cerebrais, com a quimioterapia, o fármaco é injetado e só uma pequena parte chega ao local, na ordem dos 5% a 10%. Vai acumular-se em outros órgãos, nos rins, fígado, etc. Nestas aplicações não há dispersão, produz menos toxicidade, menos efeitos secundários.

https://www.dn.pt/sociedade/na-quimioterapia-so-5-a-10-do-farmaco-chega-ao-local-na-nanotecnologia-nao-ha-dispersao-e-mais-eficaz-e-menos-toxico-14061636.html

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Era deserto e agora é um terreno agrícola fértil, onde crescem melancias

No Dubai, uma empresa norueguesa está a conseguir transformar solos arenosos, sem cultivo, em verdes plantações onde crescem melancias. Tudo através de nanotecnologia de argila líquida que leva nutrientes e água aos solos. O problema ainda é o custo.

Em apenas 40 dias, uma zona dos Emirados Árabes Unidos que era praticamente apenas areia transformou-se numa plantação de melancias. Em março deste ano, quando todo o mundo entrava no confinamento por causa da covid-19, esta mudança foi concretizada através do recurso a uma tecnologia de recuperação de solos que usa a nanoargila líquida, desenvolvida por uma start-up norueguesa.

https://www.dn.pt/vida-e-futuro/era-deserto-e-agora-e-um-terreno-agricola-fertil-onde-crescem-melancias-12713514.html

segunda-feira, 23 de maio de 2022

"Nanotecnologia dá um impulso à nova revolução industrial"

República Checa quer apostar em colaborações internacionais para desenvolver investigação aplicada em nanotecnologia. A ideia é criar novos materiais e produtos


A terceira revolução industrial, a que nos vai trazer veículos autónomos, produção e armazenamento descentralizado de energia e de ferramentas, juntamente com a comunicação instantânea, já está a acontecer. E uma das forças impulsionadoras desse futuro que está aí já ao virar da esquina são as nanotecnologias e as suas aplicações. Elas estão a mudar o mundo, com novos produtos e novas formas de fazer, e a transformar a sociedade e as nossas vidas. E isto ainda é só o princípio.

A visão é de Jirí Kus, presidente da Associação das Indústrias Nanotecnológicas da República Checa, que esteve em Portugal, juntamente com Luboš Komárek, diretor da Nanoprogress, que agrega as empresas checas nesta área, para procurar parceiros para desenvolver investigação aplicada em nanotecnologia, com o mercado como destino final. As áreas da regeneração de tecidos ou dos novos materiais com propriedades específicas para as indústrias são algumas das que estão em cima da mesa.

"Na Universidade de Aveiro fizemos bons contacto para possíveis colaborações", adiantou ao DN Luboš Komárek. "Vamos iniciar em breve uma colaboração em Espanha, mas queremos encontrar mais parceiros", sublinhou o responsável da Nanoprogress, explicando que a investigação aplicada em nanotecnologia "é muito forte" no seu país. "A nossa ideia é trabalhar em investigação aplicada para tornar as empresas nesta área mais competitivas", sublinha.

Uma das áreas em que os responsáveis acreditam que as colaborações podem acontecer com mais facilidade é, por exemplo, "na investigação sobre materiais para preparar nanofibras de forma a reforçar as suas propriedades físicas", ou "para melhorar as características antibacterianas desse mesmo material", para aplicação, nomeadamente, em produtos antialergénicos.

A Nanoprogress, criada há seis anos na República Checa, promove a aproximação entre os laboratórios e centros de investigação e as empresas tecnológicas, apoiando a investigação nesta área. E na busca de novos parceiros internacionais os dois responsáveis vieram apresentar as suas inovações em Portugal, onde já colaboram, aliás, com a InovCluster, a Associação do Cluster Agroindustrial do Centro, sediada em Castelo Branco. Com este parceiro português e outros congéneres europeus, a Nanoprogress tem neste momento o projeto de uma parceria estratégica europeia para a criação de um novo ramo de embalagens inteligentes.

"Estamos, além disso, a desenvolver novas aplicações de regeneração de tecidos humanos, concretamente de osso e de pele, para aplicação na medicina", diz Luboš Komárek. "Já conseguimos fazer experimentalmente a regeneração de ossos partidos e o resultado é extraordinário", sublinha o responsável, notando que em breve "poderão começar a ser feitos ensaios pré-clínicos".

https://www.dn.pt/sociedade/nanotecnologia-da-um-impulso-a-nova-revolucao-industrial-8927729.html