sábado, 23 de janeiro de 2016

Lasers são arma de eleição contra pilotos

Desde os primórdios da década, ataques contra a viação civil têm sido cada vez mais frequentes.
Em Portugal, a triste de moda de apontar lasers aos cockpits dos aviões não parou de crescer desde 2010. Responsável do gabinete de investigação a acidentes aéreos pede nova legislação.

Quando chega o bom tempo, muitos portugueses aproveitam as noites de fim de semana para jantar fora, passear ao luar, ir a concertos ou a discotecas e esplanadas. Mas há também uma minoria que prefere gastar o tempo livre com dispositivos de laser apontados para as rotas aéreas mais conhecidas a tentar encadear pilotos que aterram ou descolam aviões nos aeroportos portugueses. Até ao dia 27 de julho já foram reportados ao Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes Aéreos (GPIAA) 133 “ataques de laser” contra pilotos. Os peritos acreditam que os números deverão aumentar em breve, pois é nas férias de verão que costuma haver mais ataques. Por que é que há gente a fazer isto? Talvez a inteligência humana não seja suficiente para explicar.

Miguel Silveira, presidente da Associação de Pilotos Portugueses de Linha Aérea (APPLA), já foi alvo de um ataque de laser. Descreve-o como um flash que deixa os pilotos a verem quadradinhos de luz durante cinco, seis ou mais segundos. «Cinco segundos são uma eternidade na aviação. Nós, pilotos, temos decisões e procedimentos que têm de ser executados em 1 a 3 segundos. Se num exame de rotina, um piloto ficar sem visão durante 1 segundo, o médico vai querer saber o que se passa com esse piloto e, no limite, poderá querer apurar se há razão para tirar o certificado médico aeronáutico».

Os ataques de laser reportados ao GPIAA desde 2010 permitem identificar, pelo menos, três tendências: 1) nos aeroportos do Continente e Ilhas, o número de incidentes do género não parou de crescer entre 2010 (16 “ataques”) e 2014 (297 incidentes); 2) os lasers verdes passaram a ser os preferidos por serem os mais severos (de 49% dos casos em 2010 para 98% dos casos em 2014); e 3) em 2014 surgiram os dois primeiros ataques direcionados para o período de descolagem, a que se junta mais um caso detetado em 2015 (cuja contabilidade, por motivos óbvios, só é feita até 27 de julho).

Álvaro Neves, diretor do GPIAA confirma que se trata de uma moda crescente que é preciso contrariar com a ações de divulgação para os perigos que os ataques de laser podem representar para quem viaja de avião. «Basta comprar um laser de 3, 4 ou 5 MegaWatts numa dessas lojas baratas e consegue-se um alcance de dois ou três quilómetros. O que significa que, a 300 metros de distância, a intensidade é brutal», acrescenta o líder do GPIAA.

Tanto na APPLA como no GPIAA fala-se da necessidade de criar legislação específica para dissuadir estes ataques de laser que tanto ameaçam a segurança dos voos comerciais como poderão eventualmente produzir danos nos olhos dos pilotos.

Os ataques com lasers tendem a ganhar contornos mais ameaçadores com os relatos de pilotos que dão conta de casos do uso de emissores lasers mais potentes que aqueles que são vendidos nas lojas nacionais e que, por vezes, também são usados em estádios de futebol para distrair os jogadores. Recentemente, o tema voltou a fazer títulos de jornal com os ataques levados por um suspeito de 19 anos durante a descolagem de alguns voos em Newark, EUA.

A Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) confirma ter conhecimento dos ataques de lasers e diz estar a acompanhar a evolução que esta “moda” tem tido em Portugal e no estrangeiro. A autoridade que regula a aviação civil lembra que a distância e a precisão possível dos ataques não permitem ter uma demonstração inequívoca de que os alegados «efeitos nefastos» podem comprometer a segurança das aeronaves. Apesar da inexistência de provas quanto aos efeitos, a ANAC considera «esta situação preocupante e por isso tem acompanhado a evolução internacional quanto ao desenvolvimento de análises e estudos sobre esta temática».

«Faltam ainda dados precisos quanto aos efeitos reais destes denominados “ataques laser” e por isso não há, no domínio da aeronáutica, uma legislação harmonizada, proposta pelas entidades supranacionais», acrescenta a ANAC num e-mail enviado para a Exame Informática.
A ANAC refere ainda que os ataques de laser assumem «contornos de natureza criminal» que deverão ser tratados pelas autoridades competentes, mas confirma que não é fácil recolher provas que permitam identificar e sancionar os autores dos ataques.

No vídeo que se encontra inserido nesta página pode descobrir mais pormenores sobre os ataques de laser.



O motivo aparente destes ataques vai continuar a ser uma triste incógnita, e com previsões de aumento deste tipo de incidentes, provavelmente as companhias aéreas terão de pedir aos seus principais fabricantes para desenvolverem um dispositivo que permita aos pilotos não serem encadeados por este tipo de lasers, muitos deles com uma gama de radiação acima da permitida legalmente.

A restante notícia pode ser lida no seguinte site:

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