quarta-feira, 15 de março de 2017

Olhar para a animação através dos óculos Google

A Monstra - Festival de Cinema de Animação de Lisboa começa na quinta-feira com mais de 300 filmes em competição e mais de 550 filmes no programa.
Uns bonecos pequenos mas que filmados de perto parecem gigantes. Rolos azuis que giram à força de uma manivela para fazer as ondas do mar em plena tempestade. Um quadro cheio de narizes torcidos e de sorrisos mais abertos ou mais amarelos. Cenários que parecem casas de bonecas onde não faltam árvores, flores, areia no chão. A exposição Vincent, Louise, Anatole e os outros... 20 anos do Cinema de Animação da JPL Films, que foi inaugurada esta semana no Museu da Marioneta, no Convento das Bernardas, em Lisboa, é uma viagem pelos "bastidores" da produtora de Jean-Pierre Lemouland que, desde 1995, tem feito filmes de animação absolutamente maravilhosos.
Na Monstra - Festival de Cinema de Animação, que se realiza de 16 a 26 deste mês em vários espaços de Lisboa, além de ser possível ver como foram feitos, também vai ser possível ver alguns desses filmes, como O Ciclope do Mar, de Philippe Julien, ou Os Caracóis de José, de Sophie Roze. Uns vão ser apresentados mesmo na sessão retrospetiva da JPL ( no próximo dia 25, 22.00, Cinema City Alvalade), outros estão integrados noutras secções. Por exemplo, Louise à Beira Mar, de Jean-François Laguionie (de que temos alguns estudos na exposição), vai estar na competição de longas-metragens do festival e o seu autor estará por cá a dar uma masterclass (dia 24). E o argentino Juan Pablo Zaramella, que fez O Homem Mais Pequeno do Mundo na JPL não só tem direito a uma retrospetiva só para si (no dia 22, às 22.00, no Cinema Ideal) como estará em Lisboa para dar um workshop e ainda ser júri da competição do festival.
Luminaris é um dos filmes de Zaramella que vai estar na retrospetiva:
Fazer animação é como uma doença. Quem é o diz é Fernando Galrito, realizador e diretor da Monstra, que desde 2000 persiste em disseminar este vírus: "Os realizadores sabem que é muito mais difícil fazer filmes assim mas querem contar a história desta maneira, imagem por imagem, fazendo 25 posições nos desenhos ou objetos para ter um segundo no ecrã, trabalhando durante meses para produzir uns minutos de filme."
É um pouco desse trabalho quase laboratorial que é divulgado todos os anos pela Monstra, quer na programação de filmes em sala (são mais de 550 filmes exibidos, com sessões para adultos, famílias e até para bebés, com documentários, filmes de terror, clássicos e experimentais, longas, curtas e curtíssimas), quer nas muitas atividades paralelas - exposições, workshops, sessões em escolas, etc. - com o objetivo de aumentar cada vez mais o público para a animação. "As coisas evoluíram bastante nestes anos. Antes pensava-se que toda a animação se destinava aos miúdos, agora até já acontece haver gente a perguntar-me se pode trazer os filhos para ver este ou aquele filme".
Entre as muitas sessões, uma tem tudo para ser especial: um "concerto animado" no dia 18 (23.00, São Jorge) com improvisações do artista visual italiano Cosimo Miorelli e do músico português Fernando Mota.
A programação está toda no site oficial do festival - www.monstrafestival.com - e há pelo menos uma sessão já esgotada e com lista de espera: no dia 18, de manhã, um painel dedicado ao tema "Animação e Realidade Virtual" com, entre outros, Rachid El Guerrab (especialista da Google) e Tim Ruffle (realizador da Aardman Animations). Durante todo o dia, quem for ao cinema São Jorge pode participar nas demonstrações de realidade virtual e ver com os seus próprios olhos (ou com uns óculos especiais) como vai ser o cinema de animação do futuro.
Em destaque:
"Triple X": animação para os mais crescidos
É uma das novidades desta edição: uma sessão com filmes sensuais. Mais ou menos explícitos e com técnicas muito distintas. Quod Libet, do holandês Gerrit van Dijk (1977), poderá ter ligações a Master Blaster, do japonês Sawako Kabuki (2014). Tematicamente, é interessante ver como o sexo é visto de forma tão diferente em La Line, do italiano Osvaldo Cavandoli (1972) e em Mães a Arder, da polaca Joanna Rytel (2016). No dia 18, às 22.00, no Cinema Ideal.
Clássicos (e não só) de Itália
Itália é o país convidado desta Monstra. Haverá retrospetivas dos grandes autores (Bruno Bozetto, Enzo D"Alò, Gianluigi Toccafondo, Julia Gromskaya e Simone Massi) mas também veremos obras de jovens realizadores. E ainda: o Dokanim exibe um filme de Marco Bonfatti sobre Bruno Bozetto, chama-se Bozetto non troppo (dia 17, 22.00, Ideal). E haverá exposições no Cinema São Jorge e na Sociedade Nacional de Belas Artes sobre a animação italiana.
Tim escolheu 14 videoclipes animados
Um videoclipe realizado por Juan Manuel Costa para o tema Doña Ubenza da argentina Mariana Carrizo e outro dos Franz Ferdinand a cantar Right Actionrealizado pelo sueco Jonas Adell ilustram bem a diversidade do programa da sessão ClipAnim, este ano com curadoria do músico Tim, dos Xutos & Pontapés. Lá estará também Faz bem falar de amor, dos Quinta do Bill com animação de Jorge Ribeiro. É no dia 21, às 22.00, no Cinema Ideal.
Dos Óscares para a Monstra
A Minha Vida de Courgette, de Claude Barras (França/ Suíça), era o representante da Suíça ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro este ano. Não chegou à shortlist mas foi nomeado para Melhor Filme de Animação. Pode ser visto nos dias 22 (no São Jorge) e 23 (no Cinema City Alvalade), às 20.00. E ainda: Blind Vaysha, de Theodore Ushev, nomeado ao Óscar de Melhor Curta de Animação, no dia 20, às 22.00, no Cinema Ideal.

Fonte
Consultado a 15.03.2017

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