segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Estas são as 100 fotografias mais influentes de sempre (pelo menos para a Time)

Escolha contou com a ajuda de especialistas de todo o mundo. Cerca de metade das fotografias escolhidas está relacionada com os EUA.


The face of AIDS, 1990. David Kirby no leito da morte rodeado pela família
THERESE FRARE

Oscars selfie, 2014. Ajudou a cimentar um novo tipo de autorepresentação. É a fotografia mais partilhada da história, mais de 3 milhões de vezes
BRADLEY COOPER

Shadow of the Valley of Death, 1855. Fenton foi um dos primeiros a registar um grande conflito armado, a Guerra da Crimeia
ROGER FENTON

Earthrise, 1968. A primeira vez que vimos a Terra do espaço
WILLIAM ANDERS/NASA


A primeira fotografia tirada com telemóvel (1997)
PHILIPPE KAHN


Cotton Mill Girl, 1908. Lewis Hine foi um dos primeiros fotógrafos comprometidos com a denúncia das condições de trabalho
LEWIS HINE

Windblown Jackie, 1971. Ron Galella foi um dos primeiros fotógrafos paparazzi
RON GALELLA


















Por mais subjectiva que possa ser a escolha das 100 fotografias mais influentes de todos os tempos, há (sempre) quem arrisque fazer uma selecção de imagens que mudaram o rumo dos acontecimentos ou que alteraram a maneira como vemos o mundo. A Time, com uma longa tradição ligada ao fotojornalismo, divulgou esta quinta-feira na página 100photos.time.comaquelas que, na opinião da equipa editorial da revista norte-americana, são as fotografias mais influentes, as que mais estrondo/mudança/emoção causaram.

No início a ideia era fazer apenas (mais) uma lista. Mas à medida que Ben Goldberger, Paul Moakley e Kira Pollack avançaram em conversas com historiadores, editores de fotografia e curadores de todo o mundo perceberam que a complexidade da empreitada que tinham em mãos era maior do que imaginaram. Conversas que serviram também para afunilar um vastíssimo campo de produção fotográfica de quase 177 anos de história, se se considerar a data do anúncio da invenção da fotografia, 1839. As “escolhas inteligentes” que esses especialistas fizeram “ajudaram a reduzir o campo”, dizem os responsáveis pelo projecto no texto de apresentação.




Apesar do envolvimento de "especialistas de todo mundo", a selecção destas 100 fotografias acaba por reflectir a visão norte-americana da realidade ou a sua história, já que metade destas imagens dizem respeito a acontecimentos, autores, tecnologias ou instituições directamente ligadas aos Estados Unidos.

Para cada imagem escolhida, são apresentados pequenos textos de enquadramento e de justificação da importância dessa fotografia. Duas dezenas de imagens são acompanhadas por vídeos que contam algumas das histórias que estiveram na sua origem, um trabalho que valeu à equipa a revelação de alguns pormenores nunca antes tornados públicos. Foram feitas milhares de entrevistas a fotógrafos, aos sujeitos fotografados, às suas famílias, a amigos e a todos quantos pudessem contribuir para ajudar “a descobrir segredos” relacionados com as imagens.

Entre as 100 fotografias escolhidas, que vão desde os anos 1820 até 2015 (na página é possível estabelecer uma organização cronológica), há uma panóplia de géneros (conceptual, ensaístico, documental), de propósitos (científico, político, propagandístico) e de situações que encontraram no suporte fotográfico o seu principal meio de disseminação.




















Richard Drew



Boa parte das eleitas são amplamente conhecidas (algumas tornaram-se ícones) e entraram na história ou na memória colectiva, como é o caso da fotografia de Jeff Widener que mostra um manifestante pró-democracia chinês na Praça de Tiananmen sozinho perante uma coluna de tanques do Exército, corria a manhã do dia 5 de Junho de 1989. Ou a imagem de Richard Drew, da agência Associated Press, que ficou conhecida como falling man e que mostra um homem em queda depois dos atentados terroristas às Torres Gémeas no dia 11 de Setembro de 2001.

Há fotografias cujo sujeito pode até nem existir, como aquela em que o famoso monstro do lago Ness supostamente ergue o pescoço, mas que pela sua capacidade em resistir no debate público ganham protagonismo e preponderância.

Há fotografias de pioneiros (Roger Fenton, Harold Edgerton, William Anders) e autores consagrados (Robert Capa, Paul Strand, Annie Leibovitz) de artistas plásticos que usam a fotografia como principal meio de expressão (Richard Prince), mas também há imagens captadas por autores que permanecem no anonimato, como a que mostra a face ensanguentada da iraniana Neda Agha-Soltan, depois de atingida por um tiro durante manifestações em Teerão.

Há ainda fotografias que foram escolhidas por marcarem simbolicamente o início de novos tipos de expressão e cultura visuais, como a selfie tirada pela comediante norte-americana Ellen DeGeneres na cerimónia dos Óscares em 2014 ou a fotografia de Philippe Kahn de um recém-nascido creditada como a primeira imagem captada por um telemóvel.

"Não há uma fórmula que torne uma fotografia influente. Algumas imagens estão na nossa lista porque foram as primeiras do seu género, outras porque moldaram a maneira como pensamos. E outras estão aqui porque mudaram a maneira como vivemos. O que une as 100 é que são momentos de viragem na experiência humana."

A imagem mais recente em termos cronológicos é aquela que mostra o corpo de Aylan Kurdi, o rapaz de três anos cuja morte num naufrágio se converteu num símbolo da tragédia dos refugiados e inspirou uma série de outras imagens (de mímica fotográfica e de outros suportes, como o desenho e a ilustração).

O trabalho 100photos.time.com é acompanhado pela publicação de um livro.



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